blogar deixa a palavra quente, querendo sair.
a gente não precisa smpre acordar das profundezas.
Do cotidiano, vem o essencial.
domingo de ouro e rosas
nesse último domingo, passei um dia com o Pedro. Só nós 2.

e aí, dá tempo?
segunda-feira. só a semana que começa, mas o prazo pra muita coisa tá acabando. pra pagar contas, pra fazer projetos, pra resolver pendências chatas que eu adio até o último minuto, entre outras milhares. prazo pra muita coisa se acabando…Isso inclui o mundo, por causa das guerras e da ameaça nuclear, isso inclui as calotas polares, por causa do que todo mundo já sabe, isso inclui minha paciência pra tudo isso, isso inclui…
posso tomar um ar, por favor?
às vezes, dá vontade de fazer que nem o Hero Nakamura, congelar o tempo. Dá vontade de congelar só as ações filhas da puta e poder gozar um pouco e sem pressa as coisas boas – e são tantas! – desse mundo.
isso é culpa? é.
prepotência? é.
criancice? é.
mas eu sinto assim. tem conserto?
delírio do dia
certas histórias poderiam ser vividas só no meio.
sem início, sem fim
às vezes é bom viver sem prólogo, sem saber de amanhã.
ou até do instante seguinte.
corrente
Imagine um rio
e, como uma foto, num instante dessa corrente congelada, um rosto.
na linha da eternidade, um eu existente.
uma expressão frágil, como parte de algo na iminência da mudança, de transfiguração em nova forma na água.
existência instável.
Imagine um rio
sem correntes congeladas, mas todos os rostos possíveis passando livres pela correnteza alternando-se, sem medo, no ir e vir da dissolução.
Visto um pouco mais de trás, o rio tem margens firmes,
forma precisa,
e destino certo: o oceano.
botero, botticelli e beatrix
o mágico porvir
fazer, fazer, fazer
muita coisa anda acontecendo.
sempre tenho a sensação estranha que faço muito mais coisas do que aguento e menos do que deveria. Isso é um aforismo muito cansativo, me tira a energia pra fazer outras coisas.
fazer com prazer.
(são 5:52. eu deveria estar dormindo. deveria?)
20.01.2009
Hoje acordei de insônia. O Pedro mamou e não dormi. Um bicho, que não o pernilongo, zumbia em minhas orelhas.
No ouvido, na verdade.
Levantei, atizicada. era quase claro, coisa que na roça é bonito de ver, coisa que aqui tanto faz. Mas ainda há silêncio.
Hoje amanheceu com espírito de dia profético. Algo bom.
Hoje tem a posse do Obama, mas não tinha a ver com isso (espero que também tenha, no fim das contas)
É algum gosto de destino descoberto. Uma porta que se abriu na alma (espero que também na matéria, no fim das contas)
No fim das contas
No começo de alguma coisa.
Pequeno estudo da personalidade tripartida
Ela manda
Ela obedece
Eu anarquia
Elas, algo das partes
Eu, parte de algo (maior)
Ela grita (ainda que pouco)
Ela chora (ainda que raso)
Eu medito (ainda que nada)
Ela,relógio
Ela adia
Eu sintonizo
Ela corta cabeças
Ela evita o confronto
Eu convivo (e converso)
Ela fala
Ela é muda
Eu escuto
Ela tropeça
Ela é cocha
Eu danço
Ela, tragédia
Ela, drama
Eu, comédia
Elas, ainda são
Eu, ainda tento
Ser
só
Ela, obsessão
Ela, sono
Eu, presença
Ela, trabalho
Ela, a cama
Eu, o mundo
Ela, a tirana
Ela, a traída
Eu, o amor
Ela executa
Ela reclama
Eu crio
Ela, a ama
Ela, a serva,
Eu, o torpor.
Ela esperneia
Ela é areia
Eu, além mar
Ela é fria
Ela, alergia
Eu, coração
Elas persistem
Eu tá no fundo
Tenta sair
Elas existem
Eu tá no mundo
Falta subir
Elas, no topo
Tapam o poço
Mas passa o ar
Elas nem sabem
o Eu já chega
Toma o lugar.




