crônicas da pracinha

Olha, eu não sou daquelas mães exemplares que vão todos os dias, em horário de sol baixo, levar os filhos na pracinha. Aqui em casa é uma zona de horários e prioridades. Mas de vez em quando, vou. Ainda mais agora, que o Pedro resolveu se interessar por areia – na verdade, transportar areia de um lado a outro, e jogar para cima, fazendo nuvem de pó.

Antes de continuar, um aparte: a sociologia do tanque de areia. Devo dizer que nada melhor que esse microcosmos  para refletir sobre propriedade privada. O que fazer quando seu filho pega o brinquedinho do outro? No meu caso, observo o “dono”. Se ele for relax, não falo nada, as crianças se entendem melhor sem nós. Mas em alguns casos, os donos ficam bravos. Aí eu tento explicar: filho, é dele, e ele não quer que pegue. Mas por que o do outro pode? Porque o outro deixa. E o Pedro, que ainda se recusa a falar português, faz mímicas e olha. Só olha.

A gente costuma ir no Parque da Previdência, que é pertinho de casa e uma delícia, sossegado, e isso inclui as pessoas. Pois hoje, aproveitando a falta de trânsito, o Dja sugeriu da gente ir no Parque Volpi, pra conhecer. De cara, vimos o tal tanque de areia, cheio de crianças. E lá foi o Pedro, com seu pequeno kit zona. O parque é legal, com trilhas, mas já espelha aquela tensão social da zona sul. A gente sente ao entrar. Sim, tenho meus preconceitos, assumo, não gosto de tensões sociais, prontofalei. Me enche o saco. ainda mais num ambiente redondo e democrático, um tanque de areia.

Bom, lá fui eu pro tanque, ver o que passava. Aí chegam gêmeas fofas e rosas, desse rosa babaloo e chapéu babadinho, cada qual com sua mochilinha cheinha de pás, baldinhos e etc. O baldinho era igual ao do Pedro que, naturalmente, estava jogado no meio do tanque enquanto ele tocava um violino imaginário com dois gravetos. A menininha pegou o balde e começou a brincar. Não deu cinco minutos os pais perceberam: ela está com o brinquedo do outro menino! Tudo bem, eu disse, mas eles ficaram constrangidíssimos. E depois fiquei eu, tendo que ouvir um pai falando pra uma menina de 2 anos: você roubou o brinquedo do seu vizinho. Pede desculpas. Não, não, por favor, eu pensei. Não precisa, eu disse. E ela pediu desculpas! por ter roubado o balde do Pedro, igual ao dela, jogado na areia!

Sim, eu tenho preconceitos.

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