pra nascer a borboleta.

no jardim de casa tem uma pequena cerejeira.

no galho da cerejeira tem um pequeno casulo.

as folhas iam sumindo, e eu pensava ser pelo outono

depois percebi que a lagarta ainda comia folhas

mesmo estando no casulo. saía, comia, voltava.

ontem só sobrava uma.

temi pela vida da lagarta.

(como se fosse ela indefesa,

apesar de até ter sua casa)

ela comeu a última.

como faria depois?

aí, à noite, choveu.

foi chuva de vento, raio e tempestade.

logo cedo, corri pra ver se o casulo aguentou.

naturalmente, alheio às dúvidas, ele se segurou.

e um galho de bambu, plantado ao lado, envergou.

cheio de folhas novas

envolvendo o esqueleto da cerejeira

cercando o pequeno casulo.

pintou de verde o quadro seco:

a vida protege as asas nascentes.

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