pra nascer a borboleta.

no jardim de casa tem uma pequena cerejeira.

no galho da cerejeira tem um pequeno casulo.

as folhas iam sumindo, e eu pensava ser pelo outono

depois percebi que a lagarta ainda comia folhas

mesmo estando no casulo. saía, comia, voltava.

…

ontem só sobrava uma.

temi pela vida da lagarta.

(como se fosse ela indefesa,

apesar de até ter sua casa)

ela comeu a última.

como faria depois?

…

aí, à noite, choveu.

foi chuva de vento, raio e tempestade.

…

logo cedo, corri pra ver se o casulo aguentou.

naturalmente, alheio às dúvidas, ele se segurou.

e um galho de bambu, plantado ao lado, envergou.

cheio de folhas novas

envolvendo o esqueleto da cerejeira

cercando o pequeno casulo.

pintou de verde o quadro seco:

a vida protege as asas nascentes.

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