sobre a natureza do público

certa vez, vendo o documentário “à margem da imagem”, sobre moradores de rua, um personagem me revelou a essência do pensamento acerca do público. ele havia construído sua morada debaixo do viaduto do Sumaré e, segundo o próprio, escolhera o lugar porque sendo público, não era de ninguém”.

não é ótimo?

desse pensamento, derivam outros:

“o público é o que ainda não é de alguém. Se ainda não é, é porque ninguém ainda comprou. Se ninguém comprou, ainda está à venda. Se está à venda, eu posso comprar. Se eu comprar, então não é mais público. É meu.”

o cara do filme, como não tinha poder de compra, teve que desocupar o público. Mas ele não sabia que o público era, na verdade, de todos, portanto, também dele, então teve que obedecer.

os caras de grana, como têm poder econômico, têm o poder, também, de transformar público em privado. primeiro, foram as terras. Agora, ar e água. Com o fogo só não mexeram ainda porque vão ter que acertar as contas com Prometeu. Na justiça dos humanos já está tudo certo.

crise choque pilha

crise tem sido moda. pra mim, nunca foi. acho um saco, porque tudo pára. ou antes parasse, tudo dá voltas, tudo dá náuseas, eu, correndo atrás do rabo. é claro que vem para bem, a gente cresce e etc, mas até que chegue…são voltas e voltas…
nessa semana assumi uma crise. crisezinha, mas ei-la aí, inevitável, dando sono nas horas erradas e tirando o sono nas madrugadas.
mas dessa vez, ela veio com um rosto. um rosto gordo e escroto. que ria e urinava em mim, enquanto eu, com a boa vontade de uma boa alma, fazia o que ele pedia.
foi um sonho. a figura escrota (antes, não assim revelada) me pedia para que eu pegasse um par de pilhas num poste – assim são os sonhos, não me peça explicações. botei a mão no poste, levei um choque desses de prender os dedos, o cara ria e mijava na minha cara. muito humilhante. por alguma razão desconhecida, o pedro chorou bem nessa hora, como um anjo me tirando de perto daquele traste no meio da madrugada para sua mamadinha de sempre…e deixando claro o confronto com essa energia indesejável.
o cara gordo e escroto?
não. esse é só mais um daqueles personagens internos. a energia indesejável é aquela que me faz virar uma ameba, ficar suscetível, perder meu chão.
por que, ô caralho, eu não faço logo o mero fazer? o que vim pra fazer? por que, ó por que, uma multidão de palavras inúteis invadem minha cabeça me tirando o sossego, atisicando a certeza, a clareza, a coragem, a confiança? a claudia, sei lá. hoje está estranho até dizer meu nome, como se não fosse eu.

sobre o amigo Antônio Mercado


Hoje me lembrei de um grande amigo e mestre: Antônio Mercado.

Ele cruzou minha vida (ou eu a dele) num momento bem decisivo, há 10 anos atrás. Na época, eu era estudante de cinema na USP, e havia recém-descoberto que o mundo não se restringia à sala de produção da ECA. Militava ardorosamente no Movimento Humanista (onde estou até hoje) e passei a questionar, entre tudo o que fazia, o papel da arte e do artista.

Até que resolvi “filar” sua aula, direção de atores. Esse era somente o título da matéria, porque o conteúdo era algo muito maior. A cada manhã, eu saía plena, sempre com a sensação de ter roçado em algo que sempre procurei, porque não só a carga de informações que ele generosamente nos transmitia era muito consistente, mas também sua humanidade. Era a primeira vez, por exemplo, numa escola de artes, que alguém falava sobre posicionamento artístico, do que buscamos com o que fazemos. E nada parecido com os modelos “mestre Yoda”, pelo contrário. Ele não fazia força para ser referência, no entanto, lá estávamos nós, sempre uns cinco ou seis da turma, segurando-o na conversa até uma hora além do término da aula.

Eu tinha um privilégio: Ainda dava carona, e podia contemplar mais uma hora de diálogos exclusivos…

Juro que não é tietagem. Quem o conheceu, sabe desse poder que ele tem de abrir dentro da gente um lugar especial. E isso não acontecia somente pelo que ele dizia, pelas histórias que contava (entre elas, seus tempos como advogado criminalista quando, junto a outros como ele, libertou vários presos políticos na época da ditadura militar). Havia uma aura em que se podia intuir tudo o que ainda não tinha sido dito. Porque ele foi uma pessoa que se lançou à excelência do seu trabalho, não teve receio de ir além dos limites, e isso transparecia. Ele nunca disse, mas eu sempre soube.

Na época, antes de conhecê-lo, eu quase desisti de tudo. Estava frustrada com as brigas dentro do curso, com a pouca profundidade do que eu fazia, e comecei a crer que o mundo precisava de coisas mais urgentes. Comecei a questionar o que eu estava fazendo com minha vida, e tudo me parecia uma grande egotrip.

Ao mesmo tempo, aquelas manhãs sempre me deixavam um gosto de uma estranha alegria, como um afago na alma. Como se meu carrasco interno tirasse um cochilo na presença do Mercado. Como se eu vislumbrasse que sim, eu poderia fazer algo pelo mundo escrevendo, criando. E que esse meu “compromisso com o mundo” que se contrapunha à vida artística era um puta medo de errar e ser plenamente o que eu era. Que sim, eu poderia assumir minha vocação sem culpa. Porque vocação, quando é verdadeira, é uma correnteza que te busca onde você estiver e te arrasta sempre. Lutar contra isso era terrível.

O Mercado também me ensinou (sem falar) que estar no mundo, dentro das estruturas, não necessariamente é se vender. O Mercado me fez ver que o “mercado” é mais um campo a ser transformado, se você não acredita nele. Ele contou da sua experiência na Rede Globo, imagine…Dele e de tantos outros que usaram o veículo com fins revolucionários, que tiveram estômago e fígado para isso.

O Mercado, então, foi implacável: me desnudou de todas as minhas desculpas.

Sem dizer nada, sua simples existência em minha vida me fez vislumbrar um possível destino em que eu realizava plenamente o que vim fazer: CREAR. Gerar vida a partir do nada.

Hoje, ele está lá em Portugal. Já faz um tempo grande que ele cruzou o mar levando com ele a vontade de realizar que pulsava sempre. Já faz um tempo que não nos falamos, pode até ser que agora ele seja um jogador de pôquer famoso, um dionisíaco dono de reustaurante à beira-mar, um artesão de sapatos, aparador de bigodes, mas ainda aposto que ele segue pisando firme nos palcos. E eu, depois de ter gerado um filho e algumas peças, sempre me surpreendo, às vezes como um assalto, com a sua presença em minha memória. Talvez ele já tenha se convertido, dentro de mim, em um guia. Porque aquelas manhãs na ECA deixaram um cheiro estranho, que é um forte antídoto aos momentos de desânimo, aos momentos quando novamente cedo à pressão do carrasco e deixo de realizar o meu destino.

Um cheiro de permissão para ser. Integralmente, ser-se. E viver o que se é.

Caro amigo, te serei eternamente grata. À sua existência no mundo e à sua permanência nas minhas lembranças de todos os dias.

quando grávida (dez luas)

O que isso tem a ver com todo o resto da matéria viva?
Tudo.


Mas nem sempre foi assim. Houve uma época em que o medo era maior. Não me pergunte do que, porque quando se tem medo nem se sabe, é só um ar dilatado impedindo o ar de verdade. Teme-se tudo, porque no fundo a gente se sabe mudança constante. E o medo cria uma ilusão de pintura na parede. Sem perspectiva, cor ou forma. O medo cria as ameaças, o poder estabelecido, a fuga de si, a necessidade de quem manda (pra onde?). O medo é o capacho do desejo de permanecer. O medo tem nomes toscos e imperativos que mudam ao longo da história (Nero? Bush? Quantos…), mas também tem marcas individuais criando esses pequenos nomes dentro de cada vivo. Nos vivos que se sabem vivos, os humanos, ele cria história regressa.


O outro lado do medo é a coragem. Coragem, coração, peito aberto que pulsa e marca o ritmo do movimento, que nunca é quadro parado. Nada mais lindo e temível (para os que têm medo) que um coração pulsando. Talvez daí venha o medo das bombas de onde nascem as guerras, porque o coração é bomba de onde nascem luzes.


Mas antes da visão do coração pulsando, o saber-se recheada de vida. Não só o impulso vital de todos os dias, mas uma vida alheia, alma outra que quis vir nessa Terra-universo-espaço-tempo por meu intermédio. E antes da cena do coração pulsando no ultrassom, um banho infinito, talvez o maior da minha vida, o banho após a notícia de se saber agora outra, agora grávida, me disse mais do que a imagem cinza e enigmática do ultrassom. E uma voz doce desceu de algum lugar de onde vozes doces vivem e, no meu coração acelerado e feliz e de repente perdido e sem acreditar, encheu de matéria fé um corpo que jamais seria o mesmo, um espírito que, já em construção (o meu), jamais será o mesmo. A voz cantou um canto sem palavras prenunciando o retiro dos próximos nove meses. O que a voz cantou eu entendi a prestações, mês a mês, ao perceber que gravidez não é só espera, são encontros.


O começo é a novidade com terremoto do corpo. Tudo se reajusta, provando que sempre há espaço pro que se deve nascer na gente. As vísceras vão cedendo espaço, mas como são melindrosas (porque nós as carregamos desses sentimentos não resolvidos), dão gritinhos mal-humorados. Mas nessas horas a gente, com dois corações pulsando, acha coragem em dobro. Essa coragem escorre até os dedos dos pés, que se liquidificam e escorrem pela terra, por mais que se use sapatos. Vira um líquido que, em contato com a terra, por mais que se pise em cimento, assume formato raiz. E todos os cantos internos de todos os cantos não revelados sobem por ela como seiva, numa ação contrária à gravidade, alimentando o espírito. Esses cantos são os hinos entoados mês a mês, e apenas ouvidos se a coragem tiver silenciado o medo do novo. A gente cala o cotidiano, cala as conversas inúteis, acho que até o ouvido deve crescer um pouco, de tanto que talvez se escuta. Digo talvez porque não é óbvio, é tão sutil que escapa ao menor retrocesso à vida anterior. Mas os dois corações ajudam. Às vezes a gente até solta um rugido que escapa de alguma herança perdida, lembrando que só somos gente por ser de outra espécie e por escolha, mas que o impulso está lá, para quando se quiser tomar contato. Então é o canto da terra com o tambor duplicado no peito o que, durante esse tempo nos coloca em estado de graça, e também nos desestabiliza, enquanto nosso corpo vai se tornando lua. E os contatos também ficam sutis, com a alma de quem vem, com a alma do pai que assiste à revolução em tempo lunar mudando também o seu calendário. E assim como a terra muda as marés com a lua, o pai deixa-se tomar (caso queira também cair na correnteza da vida) por essas ondas gigantes, vivendo uma trindade ainda secreta entre dois mundos.


De tudo, só é necessário querer o que é vivo e humano. Em si e nos outros.
São três momentos. Gestação, parto, maternidade. Cada um com canto próprio. Agora o que experimento é o final do primeiro ato. As últimas notas, as últimas viradas da lua.


Não é um mês. São semanas


Não, não são semanas. São dias. Dias não!
Horas…
(Oras)
Horas perdem os contornos. Nada mais se conta em unidades de tempo.
….
É um longo tempo…
Talvez não pela ansiedade ou pela demora…mas por, talvez, se esperar que a cada momento a vida irrompa a realidade cotidiana, e é preciso estar atento, é preciso estar desperta, preparada, em prontidão de pássaro antes do tiro, vive-se o último mês como se deveria viver sempre, atenta e grata pela morte iminente, pelo nascimento iminente, pela vida, o presente, enfim.

a minha casa tem goteira

antes, pingava ni mim
em cima do meu travesseiro
remendamos o telhado umas 1500 vezes. O cara que arruma disse que não tem mais jeito.
agora, quando chove, só chove (e chove meeeesmo) no banheiro.
devo agradecer porque é no banheiro, piso frio?
espero, conformada, pela estiagem? Mesmo que o ar de SP fique horrível?

vitórias ecohumanistas do dia

1.manifestação no IBAMA hoje não teve violência policial
2.conseguiram que haja uma audiência pública com os municípios atingidos por barragens antes de inundarem tudo com a porcaria da usina
Agora só falta o Sr.Antônio Ermínio deixar de lado o capricho, deixar a miopia, deixar essa gente em paz, meu Deus, que todo mundo tem mais o que fazer da vida! E ele não tem? Quem precisa de alumínio, lata de Cola Cola?
para saber mais: http://www.terrasimbarragemnao.blogspot.com/
e tenho dito!

yes, nós somos bananas. on sale.

Em se plantando, tudo dá.
Oba! Então me dá!

Há algum tempo atrás, a relação mágica do homem com o mundo se dava no espanto com os fenômenos da natureza. Inexplicáveis, divinos, temidos. Hoje, mais esclarecidos, a relação mágica com o mundo é semelhante ao menino mimado que é cuidado por empregados: joga o brinquedo no chão, plim! Ele desaparece a reaparece na caixa! Suja toda a sala e plim! Ela renasce radiante e cheirosa! Estala os dedos e plim! Seu desejo é satisfeito! Quem disse que foram expulsos do Éden?

Pois bem. A combinação matemática do “então me dá” com a relação mágica com o mundo, bastante comum nas cabecinhas das poucas pessoas que detém o PODER DE DECISÃO, HOJE SINÔNIMO DE PODER ECONÔMICO, é a responsável por um fenômeno de cegueira que ameaça nossa Terra e nossa gente.

Mas voltamos ao nosso menininho: esse pequeno míope foi formando seu sisteminha de crenças básicas dessa forma. Ou seja, ele vê o mundo DESDE ESSE PONTO DE VISTA. Ele crê que as coisas são assim. Crê que o mundo é para ele, e a natureza, não à toa chamada de mãe, é uma fonte inesgotável de recursos.

Me dá! Me dá! Me dá!

Mas o menino se aborrece fácil. Ele é muito só. Nem com tantos empregados ele cura sua angústia… então ele se diverte. Há muita diversão por aí. Mas tudo movido a pilha! Então vamos produzir essa fonte energética, senão o mundo vai ficar sem graça! Está criada, pelo bem do planeta, a Pilha Corporation.

Mas vamos precisar dos rios, porque energia vem de algum lado, não brota da terra que nem batata! E agora, vamos brincar de mudar os rios de lugar? Canaliza aí uns três ou quatro! Faz barragem! Tá bom, vai inundar, mas fazer o que? Veado tem de monte no mundo, passarinho também! A gente precisa, senão dá apagão!

E vamos precisar das terras pra ter pasto pra carne. E vamos precisar das terras pra ter espaço pra soja e cana. Que tal tirar um pouco daquele mato inútil na Amazônia? Porque carro não anda sozinho! E o petróleo não é nosso, mas o etanol é a salvação do Brasil!

Mas deixa um pouco do mato, porque vamos precisar da Amazônia pra pegar umas plantinhas…porque não sei por que, não me sinto muito bem nesse planeta…um remedinho vai bem.

Me dá! Me dá! Me dá!
Ah, me esqueci… Ainda precisamos de mão de obra. Já descobriram que sangue, suor e lágrimas, juntos, compõem o combustível mais precioso do planeta: O humanol. E como sintetizamos o humanol? Emprego.

Perfeito. É a solução pra tanta gente que nasce por aqui se ocupar! As corporações de pilha oferecem emprego, muitos empregos, milhões deles. Pagam bem pouquinho, e em dia, o suficiente pra viver mais ou menos, e pra achar que a vida sem ele é pior. Diferente dos outros recursos inanimados, o humanol precisa de estímulo. Então dê a ele parte do Éden. Mas coloque no futuro essa parte, aí ele rende mais.

Agora, vamos dar nomes aos bois. Porque isso não é lenda nem brincadeira de criança. O ROUBO LÍCITO dos bens naturais DE DIREITO A TODOS OS SERES HUMANOS – pra não dizer de todos os seres vivos – tem seus responsáveis. Pessoas que, por herança da pré-história que AINDA vivemos, encontram- se com o poder de decidir por milhões de outras pessoas, sem ponderar os desejos e necessidades dessas mesmas. Apenas uma breve listagem desse rebanho:

– Vale do Ribeira: Grupo Votorantin, representado pelo ilustre cidadão brasileiro, o Sr Antonio Ermírio de Moraes, que insistem em construir a Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto, que apenas beneficiará sua própria empresa, a CBA (Companhia Brasileira de Alumínio). E também a Multinacional Bunge (em Cajati) – poluição do rio Jacupiranguinha – apenas um exemplo do quão interessante será um pólo industrial na região. Mas os empregos…

– O Governo Federal , que adotou o discurso “desenvolvimento é tudo”, em ações como Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) , apoiando agronegócio, hidronegócio, transgeniconegócio e qualquer negócio que faça economista bater palmas e gente pagar caro. Alguns exemplos:

1) Apoiar a construção de três megahidrelétricas no Rio Madeira, o segundo maior rio da Amazônia. Junto, nossas amigas Odebrecht (17,6%), Furnas Centrais Elétricas (39%), Construtora Norberto Odebrecht (1%), Andrade Gutierrez (12,4%), Cemig (10%) e um fundo de investimentos formado por Banif e Santander (20%).
2) Combater o desmatamento com a magnífica idéia de dar a concessão de florestas públicas para exploração comercial sustentável, praticamente deixando lobos pastoreando ovelhas.
3) A controversa transposição do Rio São Francisco (cujo benefício para a população é apenas 4%)
4) Junto ao Governo do estado de SP, ampliação do Porto de Santos , além da construção do porto privado na Barra do Icapara, em Iguape, e do Porto Brazil, em Peruíbe , pela EBX (não preciso citar o impacto junto às comunidades caiçaras locais)

– Alguns de nossos funcionários públicos que governam em benefício do privado, como o Sr Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura, o governador Blairo Maggi (PR-MT), maior produtor de soja do país, e o governador de Rondônia, Ivo Cassol, que apóiam indiscriminadamente o desmatamento e exploração da Amazônia. Mas são bem recompensados. Por exemplo, há uma expectativa do mercado de frigoríficos de investir, nos próximos dois anos, cerca de R$ 1 bilhão em Mato Grosso. Vamos precisar de pasto, não?

– Os governos anteriores, de Pedro I ao PSDB do FHC, que desde 1500 d.c já montaram a banquinha de vende-se bananas a preço de banana, e cultivaram com afinco o campo de impunidade que permite esses absurdos – em nome da ESTABILIDADE NACIONAL! HAHAHAHAHAHAHAHA

– Isso sem falar das corporações dos veneninhos para o bem-estar das lavouras: Monsanto, Bayer, Novartis-Syngenta, Du Pont e Advanta, com sua tecnologia Terminator (genes manipulados)

Para nosso azar, essa lista é muito maior. Esses exemplos servem quase para “tomar a parte pelo todo”. O buraco é bem mais baixo.

Para nossa sorte, a cegueira é contagiosa, mas não é total. Há muitos movimentos, redes, pessoas que dedicam suas vidas a evitar que esse desastre iminente aconteça. São pessoas que não acreditam na tirania vitalícia dos grandes grupos, que não se intimidam com o seu aparente poder. E que, mais do que nunca, precisam de pessoas que também possam se somar, não apenas “fazendo sua parte”, mas fazendo em conjunto a grande parte nos toca: evoluir da pré-história. Não apenas na tecnologia, não apenas gerando pilhas, mas abrindo a mente, compartilhando, vendo o planeta e todos os seus seres não mais como um “para mim”. Isso tem o seu tempo, mas já acontece agora. No tempo presente. Eis apenas algumas, de muitas “luzes no final do túnel” da nossa terra:

Movimento dos Ameaçados por Barragens – MOAB , Movimento dos Atingidos por Barragens (Nacional), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra – MST, Conselho Indigenista Missionário – CIMI, Equipe de Assessoria e Articulação da Comunidades Negras do Vale do Ribeira – EAACONE, Coletivo Educador do Lagamar (Cananéia, Ilha Comprida, Iguape, Pariquera-Açu), Associação Rede Cananéia, Coletivo Jovem Caiçara, Partido Socialismo e Liberdade – Núcleo Vale do Ribeira, Movimento Humanista, AVV (Associação Vidas Verde), Rede MangueMar Brasil, Deputado Estadual Raul Marcelo, Comitês da Baixada Santista Contra Tijuco Alto, São Paulo Contra Tijuco Alto, Campinas contra Tijuco Alto, Instituto Socioambiental, Pastorais de Igreja Católica, Bispo da Diocese de Registro Dom Luís. Coletivo Alternativa Verde (CAVE), o Sindserve/Cobase, Rede Eco-caiçara, individualidades libertárias, membros do Centro dos Estudantes de Santos (CES), sindicalistas autônomos e anticapitalistas, ACPO – Associação de Combate aos Poluentes Orgânicos, Mongue – Proteção ao Sistema Costeiro, Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (Ibap), Aldeia Indígena Piaçaguera, IDESC – Instituto para o Desenvolvimento Sustentável e Cidadania do Vale do Ribeira , Associação Rede Cananéia, Associação dos Moradores de Bairro Ariri, além de inúmeros ativistas independentes, comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras por todo o país.