oração da noite

às vezes, a gente atravessa algumas noites.
O mundo tá difícil. as relações humanas, então…nossa!
Mais fácil, burocraticamente falando, seria não fazer nada. Ser funcionário, funcionar simplesmente. E tirar férias e fim de semana, como se não tivesse nada com isso.
Mas a alma da gente não sente as coisas assim.
Então é foda, mas o melhor é encarar as coisas.
Não quero ser específica, porque isso cabe, nesse exato momento, em muitas situações. E é difícil não julgar as pessoas, então prefiro calar e pedir humildade, porque orgulho a gente tem de sobra, mesmo que seja atraso de vida. Ah, se a gente vivesse na humildade, entenderia que só o ego se submete. O nosso eu superior pode ser humilde porque entende que humildade não é submissão, é plenitude e alegria.
Mas a gente quer realizar, precisa realizar, viemos para condensar matéria. E como realizar com desapego? Como querer sem querer?
Humildemente peço ajuda para entender esse falso paradoxo. Porque sei que em algum lugar nada disso é incompatível.
Peço ajuda para cruzar as noites sem pressa para ver o sol.
Peço ajuda para cruzar as noites sem escurecer minha vista ao passo do outro.
Peço silêncio para ouvir o melhor a fazer.
Ilumina, meu guia, essa noite, respeitando sua escuridão característica, mas que não é a escuridão dos abismos. Ajuda-me a realizar com passos firmes, na confiança de um destino maior.
Ainda tenho muito a aprender.

era uma casa muito engraçada…

capítulo X da vida: a Própria Casa Própria
a gente zoa com isso, faz piada, mas uma coisa é verdade. Aliás, duas:
1) Todo mundo merece ter seu canto
2) Ninguém merece pagar aluguel.
Movidos por essas certezas, procuramos há mais de um ano.
Em São Paulo é assim: tem que conseguir uma combinação mais que perfeita entre tamanho, localização, transporte, horas de trânsito, coeficiente de barulho e poluição e quartos em que se pode, ao menos, dormir na horizontal. Porque vamos combinar que nem no Japão deve ter quartos dos tamanhos que andam vendendo…
Agora somos vítimas das incorporadoras. Os prédios tipinho neoclássico que têm derrubado as casas de todas as vovós do bairro aumentaram o metro quadrado a preço de solo sagrado, e uma casinha capenga tá valendo ouro por aqui.
Mas eu insisti, vazendo valer os chifres da teimosia taurina, e achei, aqui perto, ainda numa ilha longe do som das britadeiras (ou talvez eu já esteja surda demais pra ouvir, porque nem tão longe é)
casa véia, muita reforma, mas de repente rola.
fizemos uma proposta estilo truco, bem menos do que pediam, bem mais do que temos, e talvez mais do que vale, se não fosse a especulação. Trucamos semana passada, a corretora pediu seis, a gente pediu nove e estamos até agora suspensos no ar. O Dja é um ótimo jogador (ele gosta da coisa), mas eu que gosto da casa tô roendo até canto de unha.
amanhã a mulher disse que liga com a resposta. Nessas horas só na fé.
a gente tem visto apartamentos também, mas não dá pra fazer fogueira, plantar árvore e criar cachorro.
e até amanhã, minha barriga = tobogã

na gira…

muita coisa pra falar, mas o sono também é muito e eu estou finalizando um video que vai passar amanhã no Cinesesc, uma invenção do Heron. Porque o Heron não pára nem com tumor. É engraçado, porque ele sempre me falou da Ana Carolina, a cineasta, que eu só tinha uma vaga lembrança de uns filmes vistos na ECA, e agora cá estou revendo as coisas dela pra fazer essa colagem, e sabe, ela é bem louca!
sobre a Gira, é tanta coisa já, o frio na barriga é tanto que não é hoje que eu vou escrever. Só digo uma coisa, tá rolando…e faz parte de todos os sonhos que estão se condensando na matéria palpável, e olha que estamos ainda em julho, e muita água vai passar por debaixo da ponte. Todo meu ser está voltado para essa palavra: concretude. E as palavras da Gira vão assumindo corpo e voz, para minha alegria.

agradeço, agradeço e é só.

um ano de pedro


um ano de Pedro do lado de fora

um ano de vida fazendo memória

um ano de um dia que vale uma vida

chegada que nasce de uma partida

partida de si, parto, dor, desmedida

e alma que chega, do amor, acolhida

transforma a moça, já não mais donzela

trazendo o presente, depois de uma espera,

de ser-se bem mais do que se imaginava

ser mãe ser entrega paz luz porto estrada

nascer-se de si junto ao filho querido

virar, há um ano, o desconhecido.

obrigada, alma-luz, por essa história.

muitos anos de linda vida.

era ela, o abismo

lá estava ela, e o abismo
um texto que ainda vou escrever. estou com uma certa saudade de um delírio, a vida de repente aterrou demais.
são momentos e momentos. mas dá saudades de dioniso
essa foto foi tirada há mais de dez anos, numa expedição com um grupo de atores e de fotógrafos. Foi animada pelo renatinho chaui, um espírito lindo que hoje é só espírito.
um dia, foi ele e o abismo. e o abismo ganhou a batalha.
pra ele, naquela época, escrevi um texto. hoje, não sei por que, veio à tona:

Voa, meu amigo, voa
Ao encontro da sua paz (?) aqui nunca conquistada
Voa, meu amigo, voa,
Voa dentro de mim com o olhar edificante com que você enquadrava o mundo, e sua sede de vida nunca saciada
(talvez por procurar se adequar ao inadequável)

Não quero romantizar seu salto. Nem tentar entender suas razões, ou a falta delas.
Só espero, como um último desejo,
que sua alma tenha se refeito em algum ponto do infinito para onde você mirava.

E sua imagem voando será a minha herança
Tão fiel como sua amizade
E sua imagem no ar será a minha certeza
De que esse mundo ainda não é feito para os humanos

E sempre que eu estiver prestes a sentar no conforto e acreditar no que me vendem
Seu vôo me fará levantar, seguir em frente e mudar alguma coisa.

proibidus


a gente disse pro Pedro que ele não pode pegar o telefone sem fio daqui de casa (ele deixa ligado, baba, joga no chão…não, né?)
lógico que o telefone virou um obscuro objeto de desejo.
um prazer incontrolável que só perde a força se a gente deixa mexer.

agora ele tá com o telefone falando na sua nova linguagem élfica ou ewok. algo como butibutiguti

eu queria fotografar, mas a câmera quebrou. virou “não pode”. claro, aí que me deu uma vontade imensa de fotografar, filmar, ligar a câmera, porque ficou proibido.

aí, podendo pegar o telefone, o telefone perdeu a graça e ele quis pegar o inalcançável: o teclado do meu computador. lkmnçlkjn~ljk~kjõklj

polianice

a única coisa boa de demorar a viabilizar um projeto é que, enquanto não sai, eu vou aperfeiçoando.
NA GIRA RETA DO DELÍRIO, por exemplo. Descobri recentemente que a personagem que inspirou a peça simplesmente está equivocada.
lá vamos nós, reescrevendo.
a gente muda, elas mudam com a gente. as personas.
bora aí, mudando, minha filha! o futuro é grande, mas uma hora ele encurta! terra gira devagar pra não dar tontura, mas parar no tempo dá vertigem de retrocesso.
já tô falando demais…