um quase solstício

lanterna

 

… e então ele vem chegando…

com seus mistérios, temores revelados, longas noites…

(enquanto, lá em cima, estrelas secretamente nos guardam)

Frio fora.

Obscuro,

sombras maleáveis.

E da escuridão mais profunda, surge a chama.

Sol que brota por dentro: Luz divina, inabalável,

e chama, chama,

nosso destino,

à nova Terra.

 

uma ponte ao país dos exílios

nem sete, nem um

nem colo constante, nem domínio das letras

nem grande nem pequeno

só o segundo.

 

Não importavam as tantas histórias que eu lhe contava. nada resolvia.

queria mudar de nome, de mãe (surpreendi-me atordoada nessa brincadeira)

mudava de lugar à mesa, buscando nas brechas o que ainda era mutante.

banido de si, nenhuma atenção bastava.

 

(eu que sei desses estados nômades, contemplava minha impotência diante do seu terremoto.)

 

Estava insuportável.

era um pedido de socorro de um náufrago que atirava nos barcos que tentavam lhe prestar socorro.

nós – o pai e eu – declaramos nossa impaciência: o que mais falta fazer?

 

depois, nossa ignorância.

 

Até que também nos reconhecemos nesse lugar de despertencer,

nessa ilha de desassossegos,

e acolhemos o insuportável de nós mesmos banido pra lá de nossos cantos

(havia em mim tanto exílio, e nesse muito, não sei porque, algo nele se reconhecia.)

 

Então consegui dizer a partir de um outro lugar: eu te amo mesmo assim, quando você faz isso.

 

Passaram-se alguns dias

ele novamente quis saber: você me ama mesmo quando está brava comigo?

 

Eu nunca vou deixar de te amar, nem no dia em que eu estiver muito muito muito brava com você. você é meu filho querido, e nunca vai sair do meu coração.

 

A gente nunca sabe qual é o ato que desencanta a dor. Na hora. nem tive pretensão, fui sincera e só. Sem saber, apertei o botão que procurava.

 

Então o vento mudou

ele montou em seu barco

e voltou pra casa.

 

gabribarco

em :p arto

suportar

a dor da partida

até que se cumpra o destino fiado.

Com fiar,

na mesma medida

com um pé sem apoio e um passo já dado.

tremer

saber-se incerta

e ver que lá dentro é estranha a morada

habitar

acalmar pensamento

ainda que a carne pareça rasgada

desenhar

num raro silêncio

a linha que escreve o próximo ato

desnudar

em três movimentos

o mar que transborda com sede de praia

acordar

em lúcidas horas

sabendo-se errante sem mapa nem nada

escutar

em ruído constante

a voz que me envia pra terra sagrada

 

receber

na dor de quem pare

o novo que chega da morte iminente

entregar

ainda que tarde

ilusão de que a vida é só pensamento

abraçar

no corpo da gente

o ser que em chegança me pede um abrigo

embalar

num canto-lembrança

tirando da história o terror do castigo

 

mais errar

como erra, criança

a súbita cria tomada de vida

 

e criar

entendendo, na dança,

o tom de uma história não mais dividida.

 

 

acordando pra vida

Acordei ainda tonta. há poucos segundos, vivia numa espécie de ditadura.

Sem recursos. Sozinha. Controlada por homens terríveis. Na beira do fim do mundo. O Horror.

O sobressanto trouxe de volta a lucidez. Então me perguntei o que me fez ter sonhos assim. Não, não é óbvio: o resultado das eleições é uma coisa, minha interpretação dos fatos é outra.

Percebi que o MEDO que teceu esse pesadelo é o mesmo que moveu muitos de nós em direção às urnas. o MEDO que a água acabe, que só a polícia sobre (no meu caso), de que a situação não mude (como não, se a vida é mudança?), que os recursos se esgotem, bla bla bla. E pior: medo que o bando oposto ao meu seja a razão da minha desgraça.

Embarquei nessa viagem de ódio.

Embalada nesse “espírito esportivo”, fiz prognósticos fatalistas. porque meu time perdeu.

E hoje, ao sonhar (pesadelar) com um real estado de ditadura, percebi o quanto eu estava sendo leviana, o quanto estava desonrando, inclusive, vários que acreditaram na liberdade quando a situação era mais dura, e deram a vida para que eu pudesse ter autonomia. Tantos que acreditaram e construíram uma realidade mais libertária, e eu aqui de mimimi. reclamando ao SAC catártico das redes sociais, chamando, sem perceber, um estado ainda pior de coisas.

Eu aqui, reclamando porque fui boazinha e não ganhei o pirulito.

Acordei.

Percebi a necessidade de sair dessa corrente de medo, de futurismos fatalistas, e acreditar que a vida é bem maior que essas manipulações dos que se dedicam a formar bandos opostos. Porque acreditar nesse futuro trágico é implantar um tumor silencioso e traiçoeiro que, aos poucos, corrói o próprio destino, nos afasta da nossa coragem e dá a um suposto “opressor” – alguém nem tão diferente de nós – o poder de tecer as histórias que nos conduzem.

Decidi honrar a história de todas e todos que colocaram suas vidas a serviço do amor e da liberdade, honrar o destino que quero ter, e isso só é possível tomando a vida nas mãos, sem acreditar em heróis nem em opressores. Sem ficar xingando o “povo”que vota “errado” (errado=diferente de mim).

Nada está pronto. É o contrário do que está escrito nas embalagens.

E isso é bom.

o abraço que mora nas bordas

Sim, tem limite.

É necessário ter.

Mas eu achava que não. É claro, a última memória de ser filha pousava na adolescência, época de romper tecidos, de sair da casca.

Da primeira infância, eu pouco lembrava ao virar mãe. Então não entendia que, para ser irreverente, era necessário primeiro reverência. Que para romper a pele, é necessário suporte.

Isso pode, isso não pode. 

Isso sim, isso não.

corte. frustração.

No começo, tentava outra coisa: negociação. adulação.

Por fim, competição. Sem saber, chorava mais que a criança sedenta de bordas. Reclamava cansaço. Fugia pro espaço (sideral ou virtual). Tinha impulsos consumistas, trocava coisas por sossego: da bolachinha açucarada ao brinquedo psicotrópico, as babás eletroeletrônicas, os passeios estrambóticos.

Mas nada tinha fim.

Nada era suficiente.

Porque eu, no meu desespero infantil, na dor do meu abandono,

dava tudo, menos o fim.

Tudo menos a contenção.

Dava presentes, mas não a presença.

Pedia silêncio e dava ruído.

Acreditava-me frágil, mas não percebia o óbvio: que estávamos em times diferentes, as crianças e eu.

(ou contra mim.)

Eu, vítima dos meus próprios rebentos.

Eu, mulher feita, profissional, inteligente, descolada, amorosa, com resposta pra tudo, sem resposta pra nada, desolada, rendida, irritada.

 

eu, eu, eu.

eu, eu, ai de mim.

 

Não consegui.

Eu explodi.

 

Reconheci meus limites,

aterrei na presença,

dei o que ainda não queria dar, e era a única coisa que eles pediam: a verdade.

dei o que me era mais caro: a frustração de aguentar frustrar, de não me sentir amada (admirada?), boazinha.

 

Aceitei o fato de que era eu a única pessoa que poderia dar a eles a insatisfação das bordas.

( e aí percebi que isso era bem mais que um abraço.)

Mas que também, depois, em consolo, poderia virar abraço.

(forte, profundo lastro)

E as contenções verdadeiras, postas em coragem, abriram meu coração pro amor maior. E aí sim o abraço era acolhida. Reconhecimento mútuo da dor e da alegria de estar aqui, em pele, peito e presente.

“sim, meus queridos. às vezes dói, às vezes espanta, mas é lindo, lindo viver.”

 

E então não éramos mais eles e eu.

Éramos nós

Doce egrégora aprendendo juntos

um melhor ser.

 

um ano de Francisco

foi hoje do ano passado

hoje é chuva,

lá era sol.

mas chovia dentro das veias, eu cachoeirava pelas ventas

t(r)emia nem tanto a dor conhecida, mas a certeza de que você traria atado aos pés um certo tipo de bússola

eu já sentia esse norte apontando com você ainda no ventre

sabia que a vida caminharia pros eixos

sabia que sua existência me cobraria harmonia

e como temer tudo isso?

(não é lógica, é inércia)

e você esperou, paciente, que eu terminasse minhas guerras. esperou que eu gritasse por socorro. esperou que meu orgulho cedesse. esperou que eu desistisse de tudo o que achava ser chão, até que a terra verdadeira me amparasse pelos braços

você esperou, paciente, que a Mãe chegasse à nossa casa

e ela se apresentou

e ela me acalantou

para que eu tivesse forças pra te conduzir e embalar

e ela me encantou

e ela me transformou

até que eu, feita terra,

em terremoto me abri.

 

até que eu, frente à fera,

fiz a entrega e parti.

 

e então,

e só então

você chegou

 

e eu morri.

 

(feliz primavera, caçulinha amado!)

 

chegada de Francisco

A Rainha das Pérolas

Tudo começou com apenas uma pérola que ela havia encontrado na beira do mar. Era de uma beleza rara, pura e muito brilhante. Naquela época, ela era apenas uma menina que brincava nos altos das montanhas, conversando com as estrelas. Então surpreendeu-se ao ver o presente que o mar lhe trouxera.

Brincou com a pérola, encantada com seu brilho. Guardou-a numa pequena caixinha que havia ganhado da avó, e sentia-se agraciada pelo lindo presente trazido pelas ondas. Tanto que, no ano seguinte, ficou feliz em saber que voltariam à mesma praia.

A época era a mesma. O sol brilhava muito parecido.

Mas o mar havia mudado.

As ondas traziam apenas conchas vazias. Lindas conchas, algumas pintadinhas de madrepérolas. Mas nada de grandes surpresas.

A menina esperou muitos dias. Durante toda a temporada na praia, esperava que as ondas lhe trouxessem, novamente, um tesouro. Mas nada lhe aparecia. Até que, no último dia de suas férias ali, ela fez um pedido ao mar: se ele lhe enviasse outra pérola, ela lhe devotaria sua vida.

Terminado o pedido, a menina chorou. E qual foi sua surpresa ao ver que, ao tocar aquela lágrima, sentiu que era uma pérola o que seus dedos acariciavam. Ela ficou radiante com aquele novo presente, e uma nova lágrima desceu, e era também uma pérola perfeita. Porém, ao tentar colher as esferas do seu rosto, a menina percebeu que elas estavam coladas à sua pele. Desesperada, entrou no mar, para ver se a água poderia soltá-las, e ao mergulhar o rosto nas ondas, ela foi atraída, como se uma grande força a puxasse, para as profundezas do oceano.

Lá chegando, a esperava um lindo palácio totalmente torneado em madrepérolas e corais. Seres encantados receberam-na com muita festa, e coroaram-na como uma grande rainha há muito tempo perdida e finalmente encontrada. Contaram-lhe histórias sobre como ela havia desaparecido de seu berço mágico, ainda bebê, e levada à superfície para ser criada com os seres humanos. Sereias entoavam as mais lindas canções em alegria pela sua volta, e toda uma corte foi gerada para acolher a rainha em seu castelo esplendoroso.

Seu reino era de uma riqueza infinita. Só havia abundância, cores desconhecidas aos olhos humanos e harmonia. A ela, foi reservado um aposento magnífico, com almofadas de uma maciez jamais vista, tramadas pelo fio mais fino das algas encantadas.

Todos riam e cantavam. No dia de sua chegada, banquetearam em sua homenagem. A então rainha observava tudo completamente em êxtase, até que lhe pediram que ela lhes concedessem algumas palavras.

Ao tentar falar, a rainha percebeu que não havia voz possível no fundo do oceano. Então ela se concentrou, e toda sua vontade foi derramada em uma nova pérola, uma terceira, que também tornou parte de seu rosto. Ao verem aquela mágica, os seres aplaudiram extasiados. A rainha ficou feliz, e novamente tentou falar. Mas nada ainda lhe saía da boca. Depois de um minuto de silêncio e expectativa, uma sereia iniciou timidamente um canto, e logo várias somaram-se ao coro, e o palácio foi inundado pela música mais pura que seus ouvidos já conheceram.

As músicas formavam histórias em seu coração…

Então a rainha suspirou, sentindo um leve torpor. Amparada pelo canto daquelas encantadoras criaturas, tocou as pequenas pérolas em seu rosto, sentindo-as tão belas, e olhou para seu reflexo nas paredes de madrepérolas, sentindo-se também muito bela. Aninhou-se nos mimos e concluiu que era feliz ali.

Então ela acostumou-se a falar no silêncio. Passava os dias a contemplar seu reino, comovida com tanta beleza. E uma vez a cada ano, subia até o alto do seu castelo, até o alto da torre, para contemplar seu mundo e todos os habitantes reunido em um só coro de infinitas vozes. Era o ritual mais importante, e acontecia na décima terceira vez que a lua tornava-se pérola radiante no céu acima do oceano. Nesse dia, e só nesse dia, lhe surgia um desejo irresistível de também cantar. E ao abrir a boca, o canto lhe saía pelos olhos na forma de uma nova pérola radiante.

Ano após ano, as pérolas formaram uma linda máscara, um tesouro vivo, composto por mil vezes mil circunferências perfeitas.

A rainha foi se tornando pesada, e cada vez mais imóvel. Não podendo mais sair, ela alimentava-se das histórias que ouvia pelos cantos das sereias ao lado do seu trono. E eram infinitas as lendas, e uma mais linda que a outra. A rainha perguntava-se como poderia ter vivido sem conhecer tantas histórias. Não entendia como não chegaram à superfície, pois uma vez cantadas, espalhavam-se pelo reino com uma velocidade de um raio. Até que ouviu a lenda do que aconteciam àquelas histórias ao cruzarem o fio prateado das águas: mudavam sua natureza, tornavam-se líquidas, móveis, e compunham parte da superfície espelhada da areia beijada pelas ondas. Depois retornavam ao profundo, novamente sugadas pelo mar.

Passaram-se muitos e muitos anos, tantos que não haveria grãos de areia ou estrelas suficientes para contar. A rainha já havia se tornado lendária, e seu rosto-máscara era tão radiante que nem as próprias criaturas encantadas o suportavam mais. Somente uma vez a cada tempo, no dia de maior escuridão, na noite sem lua e de estrelas apagadas, ela podia mostrar-se lá do alto, tal como um sol, e assim contemplar seu reino, e somar mais uma esfera radiante a sua máscara, cada vez mais pesada.

Até que chegou o dia em que nem a mais escura das noites comportava a intensidade de tantas pérolas radiantes. E ela não podia mais ouvir as histórias, nem contemplar o seu reino, muito menos ser vista.

Ela não dormia mais. Nem acordava. Seu pulso era mínimo, como um eterno transe.

Seu reino estava em perigo.

Sua única saída era descer. Descer ao mais profundo do oceano, o único lugar em que a escuridão era ainda maior que se brilho.

E a rainha desceu. Desceu, desceu, desceu numa escada de dez mil caracóis. Desceu, desceu, desceu.

Escuro
Só escuta.

Desceu, desceu, desceu
e no mais escuro, conseguiu silenciar os olhos,
dormiu.

Não se sabe quanto tempo ali ficou.

A única mudança que acontecia era quando a lua, lá em cima, tornava-se novamente pérola radiante no céu escuro. No ápice do brilho da lua, saía do meio de suas pernas um líquido avermelhado, que logo se misturava ao intenso azul das profundezas, envolvendo-a de uma suave névoa violeta.

um leve pulsar, respiração quase imperceptível.

sem quase respirar, seu reino murchou.

as criaturas desapareceram, e o castelo ficou abandonado.

a única coisa que se movia era a suave névoa violeta, que espalhava-se pelo mar de tempos em tempos, colorindo nas ondas um sinal de vida.

e o violeta vagou, vagou, até chegar em um ponto do mar onde se entoavam cantos de rosas e risos. Um canto do mar onde se ouvia alegria. Não se sabe se eram sereias, bruxas submersas ou princesas anfíbias, mas era fato que sua música pintava com cores douradas o frio das duras correntes.

E o canto daquelas que riam reverberou ao mais profundo do oceano, levando de volta a névoa violeta com um leve movimento de dança espiralada.

E a nuvem carregada de risos vagou, vagou, desceu, esquentando de dourado o azul escuro profundo…

Até que um dia, no céu, a lua novamente brilhava qual grande pérola prateada. Nesse mesmo dia, a névoa voltou à rainha e, ao tocar sua pele, essa onda provocou um suave deslocamento. E a primeira de suas pérolas alinhou-se perfeitamente com a lua.

A tensão da distância gerou um íma, uma atração irresistível, desejo de fusão jamais visto.

O feito gerou movimento no céu e no mar: ondas celestes de nuvens galopando ventos, ondas marítimas revirando areias.

E uma tempestade aconteceu na superfície, com uma força jamais vista. Tão forte que chegou ao mais profundo do oceano, onda nada parecia se mover.

e lá no fundo, uma onda se fez,

e lá do fundo, ela despertou,

não se sabe como, ouviu os risos da menina que brincava nas ondas.

e uma corrente de água quente passou pelas suas pernas, e ela sentiu alegria, um prazer desconhecido, e então sonhou que era mulher.

E sonhou que amava, mesmo sem conhecer o amor,

e teve uma sede infinita.

E um grande raio rasgou o céu até as profundezas, rompeu a máscara em mil vezes mil vezes mil pérolas, que se espalharam pelo oceano compondo traçados tal qual constelações

E livre, a mulher sonhou com um céu estrelado, com uma menina que brincava nas montanhas e conversava com as estrelas,

e a menina acendeu uma fogueira,

e aquele fogo lhe deu vontade de cantar. Mas com medo que lhe brotasse mais uma pérola, ela segurou o choro.

Então o impulso saíu-lhe pela boca. não conseguindo segurar, ela deixou sair não apenas pérolas, mas pedras preciosas de todas as cores. Poderia sufocar, mas seguiu cantando. até que perdeu os sentidos e mergulhou num azul intenso, infinito, límpido e puro. Deixou-se cair nesse silêncio,

e então abriu-se uma fenda no oceano, de onde ela emergiu.

Acordou na beira do mar. Tossiu muito, tirou água da boca, mas alguma coisa ainda lhe obstruía a garganta. então ela vomitou uma última pérola. Uma pérola perfeita, radiante. E ela, colocando-se de pé, surpreendeu-se ao ver que já era uma mulher.

E então ela olhou para a pérola em suas mãos, e surpreendeu-se ao ver que ela estava descascando. Soltou a brilhante camada de madrepérola, tornando-se uma semente.

Então a mulher voltou às montanhas. Era tanta a saudade daquela terra que a mulher deitou-se e agradeceu.

Sob a luz das estrelas, plantou a semente mutante. Então teve vontade de chorar, mas dessa vez foram águas que verteram de seus olhos. E ela ofereceu essa fonte pura à semente que havia plantado. E a semente tornou-se uma grande árvore.

E ela descobriu que tinha frio,

e acendeu uma fogueira.

E a mulher abriu a boca, temerosa. Não sabia porque, mas infinitas músicas dançavam no seu coração, e ela precisava cantar. Ensaiou um canto tímido, que logo cresceu. E tornou-se um canto tão forte que logo chegaram pessoas.

E ela ganhou amigos, e fez ali a sua casa, à sombra da árvore, ao pé da montanha.

E todas as noites, à luz da lua, deixa sair uma história. Daquelas tantas que lhe contaram as sereias.

E assim foi, até o último dia de sua vida, em que ela voltou às estrelas.