lendo Mia Couto

nossa!

é ficar com promessa de choro viva entre o peito e a garganta, quase escapulindo olho afora. dá pra ler de tacada não, pede tempo de pedir socorro, de pedir abraço, de dar abraço, até. Na aridez descalça, agradecer pela água.

Eu agradeço as palavras dadas. “A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado”. Vixe, que coisa boa de ler!

a dupla camada da realidade

É uma árvore gigante que mora onde moram meus pais.

Não sei quantos anos tem, mas é uma entidade. Linda, dançando rumo ao céu, dançando rumo ao centro.

Num dia, rodeando e contemplando, vi numa fenda do tronco algo além. Muito além.

Se eu ainda fosse criança, acreditaria em portais.

Não sendo mais, ainda acredito. Um manto, um cajado, figuras, essências esculpidas no tempo. Um mago? Sacerdotisa? Talvez.